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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Luto no rádio: perdemos Isac Santos e Felicidade Aguiar

Imagem da equipe da Rádio Realidade, na porta da emissora. À frente, no primeiro plano, o casal Isac Santos e Felicidade Aguiar, de mãos dadas. Ambos estão de camisa verde com crachá e o símbolo da Rádio Realidade. Felicidade usa óculos escuros e calça creme. Isac está de calça preta. No segundo e terceiro planos estão integrantes da equipe da emissora, todos de camisa verde. Ao centro, de blusa branca, Ed Wilson Araújo, parceiro da rádio. À esquerda, ao lado de felicidade, está o tecladista Eduardo, de blusa azul clara e bermuda branca.



A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão, com profunda tristeza e imenso pesar, comunica o falecimento do companheiro radialista Isac Santos, coordenador geral da Rádio Realidade, a Voz da Comunidade, uma emissora de linha modulada e web, localizada no bairro Santa Clara, na grande São Luís.

O falecimento aconteceu na manhã dessa segunda-feira.

Isac Santos era cego e desde criança alimentava o sonho de ser comunicador, sonho este concretizado na Rádio Realidade, que ele criou e coordenava junto com a sua esposa Felicidade Aguiar, que também faleceu recentemente.

Toda a família Abraço Maranhão está profundamente consternada com as duas perdas sucessivas. Felicidade Aguiar nos deixou em 18 de julho de 2026 e Isac Santos partiu na manhã de hoje (21 de setembro).

A Rádio Realidade era uma das emissoras parceiras do podcast Espaço Público e sempre esteve presente nas atividades da Abraço Maranhão.

A comunicação popular perde dois ícones, duas muralhas na luta pela democratização da comunicação.

Expressamos a nossa solidariedade a todos e todas os(as) amigos(as), familiares e parceiros(as) de jornada no rádio.

São Luís, 21 de setembro de 2026

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Eleições e rádios comunitárias: Abraço Maranhão cobra compromisso dos(as) candidatos(as)





A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão vem a público cobrar de todos os candidatos e candidatas majoritários e proporcionais o compromisso de defender as pautas da comunicação comunitária e popular.

O Brasil, marcado pela concentração empresarial na comunicação e pelo coronelismo eletrônico, segue marcado por uma desigualdade gritante na produção, circulação e consumo dos bens culturais.

Essa realidade se reflete nos estados. O Maranhão, um dos casos mais emblemáticos de coronelismo eletrônico, tem uma extrema concentração de poder econômico e político em poucos grupos de comunicação.

A desigualdade entre quem lucra com a mídia de mercado e quem presta serviços de comunicação é gritante.

O cenário da concentração empresarial torna-se ainda mais grave no momento atual, com a hiperconcentração da comunicação nas plataformas, quase todas controladas por uma só empresa mundial – a Meta, proprietária do Instagram, do WhasApp, do Facebook e de outras redes sociais e aplicativos.

Considerando a estrutura acima mencionada, nós, que fazemos rádios comunitárias, emissoras sem fins lucrativos, prestadoras de serviços à sociedade, reivindicamos mudanças na Lei de Radiodifusão Comunitária nº 9.612 e no Decreto 2.615, ambos instituídos em 1998 e nunca modificados.

Assim, dirigimo-nos aos candidatos e às candidatas aos cargos legislativos e executivos de todo o Brasil, especialmente do Maranhão, para reivindicar mudanças na lei e no decreto regulamentador do serviço de radiodifusão comunitária.

As nossas reivindicações prioritárias são:

1 – Apreciação do Projeto de Lei (PL nº 10.637/18) que está parado na Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados há 8 anos), sendo que já foi aprovado no Senado, por unanimidade. Esse projeto trata da criação de mais um canal de faixa de frequência por município e do aumento de potência dos transmissores.

2 – Apreciação do Projeto de Lei (PL nº 2.054/25), que trata da permissão para as rádios comunitárias e educativas veicularem publicidade comercial;

Com base nos projetos acima, reiteramos as nossas reivindicações por:

# aumento da potência dos transmissores de 25 Watts para até 150 Watts;

# permissão para veiculação de informes publicitários (atualmente só é permitido o apoio cultural);

# acesso às verbas públicas de comunicação para a veiculação de campanhas educativas e de interesse público dos governos municipais, federais e estaduais;

# ampliação do número de canais e das faixas de frequência;

# cobrança de direitos autorais adequada à situação orçamentária das rádios comunitárias, proibindo a execução dos mesmos valores aplicados às emissoras comerciais);

Além das nossas reivindicações específicas, defendemos, com ênfase, uma ampla mobilização pela regulação das plataformas.

Não se trata de censura. Defendemos regulação, com o objetivo de conter a propagação de fake news (desinformação) e criar regras visando disciplinar o uso das plataformas para coibir a disseminação do ódio e das diversas formas de manipulação nociva, utilizando a Inteligência Artificial para agredir, destruir reputações e praticar violências, com atenção especial do público infantil.

Regulação não é censura!

Queremos o uso das novas tecnologias para promover a educação, difundir princípios democráticos, estimular a boa convivência social e tratar as divergências com respeito ao próximo.

São esses os compromissos que nós, radiodifusores e radiodifusoras comunitários, defendemos e cobramos de todos os candidatos e candidatas, de forma que assumam os compromissos acima listados e atuem nos seus mandatos para defender a democracia e a pluralidade.

Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão

Documento publicado em 7 de setembro de 2026, no curso das eleições para a Presidência da República, Senado, Câmara dos Deputados, governos estaduais e assembleias legislativas.